Chegar ao terceiro filme de uma franquia é algo que já não é mais para poucos. Chegar ao terceiro filme de uma franquia, mantendo a qualidade, isso sim é para muito poucos. Na saga Homem de Ferro, parte da megassaga Os Vingadores, isso era ainda mais difícil. E, foi cumprida. Parcialmente.
Em Homem de Ferro 3 (Ironman 3), Jon Fraveou, diretor dos dois primeiros filmes e responsável por mudar totalmente Tony Stark e dar os conceitos que norteariam a Marvel Studios, sai da direção e ficou apenas com seu cargo de ator como Happy Hogan, agora chefe da Segurança de Stark. E é nesse ponto que reside a falha da continuação do filme carro-chefe da Marvel. No filme dirigido por Shane Black, tudo é diferente: as cores, a trilha sonora (Cadê o AC/DC e o Black Sabbath?) e dinâmica. A cada risada do Happy, eu ficava imaginando que era o próprio Jon rindo do rumo do filme e da Marvel.
Critica com muito spoilers, se não viu o filme e quiser ler uma critica sem spoilers, vá ao nosso Pensamento Livre do Patrick Duarte.
No longa, temos um Tony Stark (Robert Downey Jr.) atormentado com os eventos acontecidos em Nova Iorque de Os Vingadores e cada vez mais afundado no trabalho para proteger a Terra e a pessoa que é mais importante para ele: Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Típico dilema do mundo real: O que é mais importante? Trabalhar duro pelo conforto da família, sem deixar tempo para demonstrar esse amor por eles ou ter este tempo e não poder dar-lhes o conforto? Além disso, Tony está sofrendo de transtorno pós-traumático associado com síndrome do pânico e insônia, sendo tratadas sempre com muito humor.
Aliás, comédia é o principal foco do filme que usa o vilão Mandarim e o Arco Extremis das HQs como pano de fundo. Parece mais uma paródia do Homem de Ferro do que propriamente uma continuação. Acredito que a Marvel Studios esteja começando a desandar. Sabidamente, os filmes de Capitão América, Thor e Hulk foram medianos e Homem de Ferro 2 trouxe apenas a sombra da qualidade do primeiro, nesse ínterim, apenas Os Vingadores foi realmente um excelente filme, embora o roteiro tenha sido simples, ele serviu bem ao seu propósito. Gostei bastante da interação com o garoto Harley (Ty Simpkins) que fez Tony lembrar-se de voltar ao básico. Entretanto, novamente, apelaram bastante ao fazer dele um “agente secreto” invadindo a casa do Mandarim. Ele não é James Rhodes (Patriota de Ferro) e muito menos Bond!
Ao ver o filme, me parece que eles ficaram assustados com Batman 3 e quiseram combater o Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço com um fanservice que encheu a tela com cenas engraçadas, explosivas e impactantes. Caminho péssimo. Até mesmo O Cavaleiro das Trevas Ressurge viu isso dar errado, ao deixar de fazer um roteiro brilhante como o do segundo filme, para criar um festival de cenas blockbusterizadas.
E por falar em Batman, ok, gostei muito da ideia de colocar a figura do Mandarim como testa de ferro do verdadeiro Mandarim, no entanto… isso já foi usado em Batman! Duas vezes! Uma, claramente, no primeiro filme com Ra’s Al Ghoul e Henry Ducard e depois com o filho de Ra’s em TDKR com Bane e Thalia! A cópia pegou mal, Marvel.
As atuações foram excelentes. Tony Stark estava novamente soberbo, Potts estava incrivelmente Pepper, Ben Kingsley fez muito bem a figura do Mandarim, Guy Pearce como o Dr. Aldrich Killian ficou show e Don Cheadle dispensa comentários no seu retorno a James Rhodes. Nota para a cientista gostosa whatever que estava lá só para distrair o público Maya Hansen (Rebecca Hall).
O final, bem, digamos que foi altamente desnecessário destruir todas as armaduras. Foi jogar o trabalho de uma vida inteira fora. E agora, Sr. Stark? E se em seguida os Chitauri voltassem? E se Thanos chegasse? Essa é outra cena explosiva e de impacto visual que não serve para muita coisa pra história do filme. Em suma, o filme é bom, diverte bastante, mas parece levar a uma tendência perigosa nos filmes da Marvel. Como diria Mussum: isso esta muito “Extremis”.
Que Stan Lee nos proteja.
Trailer:
Por: Dr. M. Barreto
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