Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap5 pt4


Por: M. Barreto

Capítulo V: Conflitos Internos

Era uma rua extensa de belas casas e jardins bem cuidados. Toda limpa, sem um paralelepípedo fora do lugar. Dario estava chegando em casa com seu carro novo. Estacionou em sua garagem e foi até a porta da frente. Sentia-se triunfante demais para entrar pela porta lateral. Pegou a chave e encaixou-a na fechadura. Parou um instante para refletir se tinha esquecido algo. Balançou a cabeça negativamente e entrou. Jogou o paletó de lado e tirou os sapatos, puxou a gravata e sentou-se no sofá com um sonoro estrondo.

-         Querido, já chegou? –disse uma voz aguda vindo do quarto.

-         Sim, estou no sofá, Lucy meu amor –Dario respondeu.

Uma mulher loira alta, branca, de pouca cintura e busto, com um rosto sorridente e maquiado saiu de um cômodo e foi em direção a Dario com um sensual rebolado. Dario se deliciava com cada passo. Ela se sentou em seu colo e lhe deu um longo beijo.

-        Lucy, tudo está saindo como devia –Dario disse com um franco sorriso no rosto. Em breve estaremos no topo do mundo.

-        Tudo está dando tão certo que chega a impressionar, não acha? –ela disse com um gritinho de alegria. Depois da eleição e daquela mensagem, tudo mudou em nossas vidas. Eu te amo cada dia mais!

Ficaram ali, abraçados durante algum tempo. Depois jantaram. Lucy dormiu cedo. Dario ainda teria que trabalhar mais um pouco. Eram 10:42pm de 24 de janeiro quando Dario viu a página da DBOF no Gokut pela última vez em sua vida. Nem ao menos entrou nos tópicos, apenas observou sua página principal com um sorriso nostálgico no rosto. Por sorte o tópico de Adriana chamado “Guerra” não lhe chamo a atenção. Fechou o Gokut e abriu o Gamma. O Slogan “O Mundo é seu” nunca lhe pareceu tão oportuno. Seu celular tocou.

-        Dario –disse com uma voz séria e serena.

-        Senhor, a Empresa Om e Lete já disponibilizou os veículos que o senhor queria –falou seu secretário.

-        Leve os para meu gabinete

-        Gabinete senhor?

-        O outro…

-        Certo, entendi. Será feito.

-        E minha encomenda?

-        O terminal do servidor já está online. Foi ativado hoje cedo.

-        Qual o nível de segurança do terminal? –perguntou com um tom um tanto preocupado.

-        Delta, mas…

-        Mas você o passará para alfa agora mesmo –disse gentilmente.

-        Isso mesmo senhor. Até amanhã

-        Até amanhã, Erick.

Todos levaram um susto. Adriana abraçou Karol. Willian falou com Leandro. Renan foi falar com os outros todos. Após um minuto ou dois,  Karol perguntou.

-        Porque vocês estavam indo embora? –disse com uma voz meiga. Dava para ouvir uma discussão de longe.

Karol era baixinha com um corpo musculoso, embora ainda fosse um pouco “cheinha”, deixando-a ainda mais bonita. Seu sorriso meigo e voz delicada preenchiam qualquer local.

-         Pra resumir, nós temos um modo de resolver as coisas pacificamente e Mauricio e os outros não querem –disse Will com um sorriso.

-         E porque não? –Peguntou Renan.

Renan era um homem baixo, de expressões fáceis e que tentava sempre se enturmar, quase sempre sem sucesso.

-        Porque eles não têm um plano –disse Mauricio dando de ombros. Eles querem que a gente vá até o Dario e peça para ele por favor não destruir o mundo.

-        E como ele é uma boa pessoa, claro que ele vai atender –completou Xiku

Karol abraçou Willian bem apertado e depois foi na direção de Mauricio e repetiu o gesto com a mesma intensidade e duração. Ambos entenderam o recado.

-        Só uma perguntinha bem besta… –Leandro disse. Como vocês sabem que o Dario vai destruir o mundo?

Leandro era branco, alto, com um rosto bonito e sério.

-        Mauricio recebeu uma mensagem do Futuro avisando isso –responde Willian.

-        Do Futuro? Ah ta, até parece –Leandro falou cético.

-        O pior é que essa parte é verdade e já foi digamos confirmada por nós sete –respondeu Pedro.

-        Legal –Disse Renan entusiasmado. E quem enviou?

-        Miray Denis –respondeu Danton.

-        Miray Denis? Denis do Futuro? –Respondeu Karol. O meu Denis?

-        O que tem eu? –disse a voz de Denis na porta;

-        Denis? –suspirou Karol.

-        Karol? – arfou Denis.

Os dois se abraçaram longa e apaixonadamente. Os dois namoravam há 3 anos pela Internet e até hoje nunca haviam se visto.

Vitor e Neo também estavam chegando. Vitor e Will se cumprimentaram, Neo e Thiago e depois mais uma série de abraços e apertos de mão. Denis e Karol se soltaram e Denis falou com todos. Mauricio foi o último.

-        O que está acontecendo aqui, brow? –Denis perguntou enquanto abraçava Mauricio.

-        Mais uma discussão de moderadores, e como sempre Will e Swan estão do mesmo lado, contra eu e os rapazes –Mauricio sussurrou. Eles querem falar com o Dario abertamente.

-        O quê? –Exclamou Denis, ainda sussurrando.

-        Eu sei, é burrice –disse Mauricio se afastando.

-        Alguém ai pode fazer um resumo do que aconteceu aqui? –Perguntou Vitor.

Vitor era um gaúcho-nipônico gordinho.

-        Eu faço –respondeu Mauricio. Acho que não deve chegar mais ninguém mesmo. Anteontem quando eu acordei e liguei o computador, tinha uma mensagem logo na tela principal. Um vídeo enviado por Denis do Futuro dizendo que Dario iria causar um holocausto nuclear e que os sete moderadores deveriam se unir para detê-lo. Com ajuda de um cientista do futuro, ele enviou essa mensagem e muitos arquivos úteis que precisaria, Infelizmente o vídeo era pesado demais para enviar a você ou carregar no meu pendrive. Agora, estávamos discutindo qual seria a melhor forma de deter Dario. Eu e os rapazes achamos que temos que agir nas sombras e atacar tanto Dario quando a base militar com as armas nucleares. Já Willian e Swan acham que devemos convencer Dario de que isso tudo é uma insanidade –Mauricio arfou um pouco e disse. Acho que isso resume toda a situação atual..

-         Doideira, mano –disse Neo. Viagem no tempo?

Neo era moreno de sol, usando óculos escuros e roupas de marca.

-         Essa parte é verdade… –disse Adriana olhando para fora.

-         Alguém quer vir com a gente e tentar uma solução pacífica com nosso ex-líder? –perguntou Will.

Todos se entreolharam. Ninguém fez menção a seguí-lo. Will fechou a cara e saiu puxando Adriana pelo braço.

-         Will! –gritou Mauricio.

-         O que foi?

-         Não conte a ele sobre nós.

-        Não vou –disse olhando por cima dos ombros.

Não tenha medo de confrontos. Até os planetas se chocam, e do caos nascem as estrelas.

Charles Chaplin

Fim do capítulo V.

Próximo capítulo: You could be mine

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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap5 pt3


Por: M. Barreto

Capítulo V: Conflitos Internos

Resolveram esperar os outros por ali mesmo, até porque, de qualquer forma, não haveria para onde irem nesse momento. Imprimiram os esquemas das bases militares de operação e começaram a estudá-las em uma salinha de descanso do aeroporto. Mauricio, Will e Xiku reviam os detalhes e tentavam montar um esquema da invasão. Pedro, Thiago e Danton conversavam distraidamente. Adriana estava destacada a um lado e retrucava alguma coisa. Uma palavra acabou saindo propositalmente alto demais e Mauricio percebeu.

-        O que foi Swan? –perguntou gentilmente.

-        Em primeiro lugar, não me chame de Swan, meu nome é Adriana –falou rispidamente, pois tomara ódio do apelido após saber que a protagonista de Twilight também se chamava Swan. Em segundo lugar, isso tudo é um grande erro –disse fitando Mauricio nos olhos. Mesmo que a história de viagem no tempo seja verdade, quem garante que esse tal de “Doutor” realmente tem boas intenções?

-        A mensagem que eu recebi foi dada pelo próprio Denis do Futuro –devolveu Mauricio. Ele apenas cita esse “Doutor”. E acho difícil que o Denis de qualquer realidade queira fazer mal a nós.

-        E como acha que vocês podem impedir que bombas nucleares sejam lançadas? –desdenhou Adriana.

-        É exatamente isso que estamos tentando descobrir aqui faz pelo menos uma hora –rebateu Xiku. Ajudaria muito se você parasse de ficar vendo chifre em cabeça de cavalo e viesse ajudar também Swanzinha.

-        E estamos falhando porque estamos indo pelo caminho errado –falou Will. Acho que ir falar com o próprio Dário e ver o que disso tudo realmente pode vir a se tornar real é o mais certo a se fazer.

-        Ei peraí –disse Pedro. Falar com o cara que quer explodir o mundo? Pra que? Ser preso ou ver a destruição do mundo de camarote?

-        Dario vai ouvir a mim, ele vai se abrir, ele confia em mim mais do que em  qualquer um da DBOF –disse Will.

-        E talvez seja por isso que nós 7 devemos estar aqui, para mostrar a ele as vidas que ele daria em sacrifício e lembrar o que a DBOF representa para ele –completou Adriana.

-        Pedro está com a razão quando diz que Dario pode nos prender e ai não vai adiantar nada o esforço de todos –disse Mauricio e quando Will fez menção a falar algo ele completou. Entretanto, Swan… digo, Adriana está certa ao dizer que, talvez, lutar não seja o único caminho.

-        Como sempre, tentando agradar a todos –desdenhou Adriana. Você sempre foi tão em cima do muro.

-        Sim, eu sou um apaziguador por natureza, Swan – Mauricio falou a ultima palavra com um quê irônico. Mas dessa vez, eu já tenho o meu lado.

Mauricio sentou-se em um banco, com Thiago, Pedro e Danton do seu lado esquerdo,  estando Xiku ao lado direito, ainda de pé. Will estava entre eles e Adriana em frente, também em pé.

-        Mas você mesmo disse que eu estava certa –retrucou Adriana. Você que se diz ir tanto pela lógica, vai ir pela contra-mão e seguir seu ódio pelo Dario.

-        Eu já odiei muito ele, mas agora tenho é pena dele –falou Mauricio.

-        Acho que o que Mauricio quer dizer é que o cara que traiu os seus próprios amigos, tentou destruir a casa que ele mesmo construiu apenas para nos atacar, não parece ser muito confiável –riu-se Xiku.

-        Cala a boca, por que foi você que causou todo o problema com ele! –se alterou pela primeira vez Adriana, dando um furioso passo a frente.

-        Eu só fiz o que devia fazer, expulsando aquela namoradinha arruaceira dele –Xiku disse alto levantando-se.

Mauricio tocou-lhe o braço e o puxou de volta para onde estava, dando impulso para se levantar.

-         Posso falar uma coisa? –disse Danton.

-         Não! –todos outros responderam juntos.

Danton se calou contrariado, batendo no estofado do banco, todavia ninguém deu importância. Peões não falam, pensou Mauricio.

-        O Xiku fez o que qualquer moderador faria no lugar dele. Expulsar Lucy era o certo –falou Mauricio calmamente. E o erro no seu plano é exatamente o que ele falou. Dario é instável e não é alguém em que se possa confiar e não será com o calor da amizade que ele voltará a razão.

Mauricio olhou para Will. Ele estava quieto demais. Aquela cara pálida e gorducha não deixava transparecer a fúria que estava sentindo, contudo, Mauricio sabia que o cavalo galoparia em pouco tempo.

-        Por mais que eu seja a favor de ir falar com o Dario, eu concordo com o Xiku e o Mauricio –disse Thiago. Porque a se gente tiver errado, além da gente morrer, todas as pessoas que amamos também vão morrer.

-        Ei, eu é que ia dizer isso –falou Danton alto.

Adriana disse algo olhando para baixo e foi quase inaudível, contudo, Mauricio leu seus lábios. Ela disse: “Eu não amo ninguém nesse mundo…” e mais algo que ele não conseguiu entender. Mauricio sentiu que iria perder a Adriana. Ele teria que fazer algo agora ou todo o esforço estaria acabado.

-        Dri –chamou Mauricio ternamente e ela levantou a cabeça com uma expressão séria. Você é linda, inteligente e divertida –disse dando um passo para cada adjetivo. Tudo o que qualquer homem poderia querer em alguém. Acho que como metade da DBOF, eu já tive uma paixonite por você em algum momento desses quatro anos.

Xiku  e Thiago se entreolharam. Aquele seria o momento certo de cantar a Adriana? E o pior é que era verdade, não havia homem que não tivesse se apaixonado, mesmo que por pouco tempo, por Adriana Swan..

-        Contudo, você também é solitária e apesar de forte, você também é frágil –essa ultima palavra a fez virar o rosto para o lado.

Mauricio tocou-lhe o rosto gentilmente com um tenro carinho.

-        Por mais que você não admita, eu te conheço melhor do que qualquer um aqui –falou quase como um sussurro. Não importa o que aconteça, se ficarmos juntos, tudo vai dar certo –ela olhou para ele com lagrimas nos olhos e a boca entreaberta.

Mauricio sorria maliciosamente, ele poderia beijá-la agora, e a fazer seguí-lo aonde fosse. Entretanto, ele não o fez e sabia que não deveria fazê-lo.

Adriana avançou sua face em direção de Mauricio e este recuou e mostrou um sorriso nada terno. O sorriso de um golpista que acabou de conseguir o que queria.

-        Eu não sou muito bom em cantar mulheres, mas eu sei achar o ponto fraco de alguém e atacá-lo – Mauricio falou sem o sorriso e com uma face bem séria. Imitar o que Dario falaria foi uma boa opção. Se eu posso te balançar tanto com apenas algumas palavras inexperientes, imagine o que Dario e sua fala macia poderiam fazer.

E a rainha vai ter de recuar, pensou Mauricio.

-        Olhe o que ele já fez com você, se voltando contra seus próprios amigo –falou Mauricio. E eu nem estou falando de mim.

Adriana lançou um olhar furioso à Mauricio e aos outros.

-        Você é um idiotazinho que quer viver uma aventura com seus amiguinhos –ela começou em um tom de voz ameaçador crescente. Você não está pensando em salvar o mundo, você quer só ter uma boa história pra contar. O sábio líder da DBOF, salvador do mundo. È isso que pessoas egocêntricas e fracas querem, precisam disso para se sentirem vivos. Eu tenho pena de gente assim.

Quando ela queria realmente irritar alguém, Adriana sempre falava na terceira pessoa, desdenhando de seu desafeto. E isso funcionava especialmente com Mauricio. Este tentou manter a postura de liderança, contudo estava ardendo de raiva por dentro. Xiku percebeu que se Mauricio caísse na teia de Adriana estaria tudo perdido e intercedeu. Ele pôs a mão no ombro de Mauricio e o puxou para trás.

-        Podemos ser até isso que você ta dizendo, um bando de amigos que resolveram brincar de salvar o mundo –Xiku falou bem alto. Mas pelo menos não estamos amedrontados a ponto de ir buscar asilo com o vilão da brincadeira. Você é quem é digna de pena, Swan.

Adriana Swan sentou-se com uma expressão furiosa em seu rosto e olhou para Willian. Este sorriu para ela e levantou bruscamente seu robusto corpo indo na direção a Mauricio e a Xiku. Como Mauricio pensara, o cavalo começou a galopar. Dentre todas as peças do Xadrez, o cavalo era o único que podia pular por sobre as outras peças, lhe dando sempre um fator surpresa.

-        E o que vocês acham que podem fazer? Hein? –perguntou Will em tom intimidador. O que vocês tem contra os homens de Dario? Me fala como invadir uma base militar de alta segurança?

-        Eu não tenho todas as respostas, mas ainda temos tempo de procurar –disse Mauricio.

-        Quanto tempo? 8 dias? –desdenhou Will. Vocês não têm nem ao menos gente pra esse tipo de operação! São todos uns inúteis.

-        Ei, vai com calma ae Free Willy –respondeu Xiku.

-        Todos da DBOF são desocupados, desajustados ou debilóides –continuou Willian fingindo não ter ouvido o que Xiku disse. Para evitar uma guerra nuclear acho que vocês precisam um pouquinho mais do que vocês tem –falou sarcasticamente. Vocês têm um medicuzinho metido a sabe tudo –apontou para Mauricio. Um Paraíba com cara de morto de fome –apontou para Xiku, insinuando sobre sua magreza. Os palhaços Merry e Pippin –indicou Thiago e Pedro com a cabeça. E o “devíamos ter esquecido dele” ali –olhou para Danton. Um chorão que não serve pra nada além de reclamar.

-        E o que pensa que você é? –retrucou alto Danton.

-        Eu sou o cara que estava pensando no que fazer até agora e vi que seguir vocês nessa missão suicida não é o melhor a fazer –Willian parecia mais sério do que nunca. Eu não quero brincar de salvar o mundo. Tampouco me salvar e deixar o mundo explodir. Eu quero é impedir que aquelas bombas sejam lançadas e não to nem ai pra reconhecimento ou o que vai ser preciso para isso. Eu vou falar com o Dario quer queiram ou não. E acho que não tenho mais nada para falar com vocês.

Ele caminhou para a saída da pequena sala de descanso, com Adriana logo atrás, Contudo recuou com a abertura da porta.

-         Você não pode ir logo agora que a gente chegou Will –disse uma voz feminina.

Karol, Leandro e Renan haviam acabado de chegar.

Continua…

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Por: M. Barreto

Capítulo IV: Das profundezas

Will levou os amigos para sua casa e começou a arrumar suas coisas. Pedro ficou vendo TV apreensivo na sala querendo ver o noticiário de esportes, enquanto Thiago queria ver desenhos. Mauricio dormia sentado no sofá quando o gaúcho lhe acordou.

-               Cara, usa o meu computador e manda uma mensagem para Xiku e Adriana. Se eles já tiverem alerta será mais fácil para nós.

-               Bem pensado –disse Mauricio levantando meio sonolento. O Danton mora não muito distante dessa cidade, vamos encontrá-lo até o final do dia, eu acho.

-               Viajamos de noite e chegamos de manhã cedo –Will falou pensativo.

-               Isso ae –falou Mauricio feliz por ter alguém que pudesse acompanhar o seu raciocínio rápido.

Estar na Internet novamente era muito estranho. Parecia que fazia meses que Mauricio não entrava. Vários amigos lhe perguntavam no Gokut para onde ele tinha ido. Deixou uma mensagem na sua página principal dizendo que estava na praia, para que todos vissem. Julia também tinha escrito “Mon amour, para onde vc foi? Me liga quando estiver livre. Te amo, beijos.”. Mauricio estava tão envolvido com seu dever que esqueceu completamente dela. Mandaria uma mensagem do celular antes de sair do sul, pensou. Sua caixa de e-mails estava igualmente cheia, com vários avisos e inutilidades. Deveria ir ao plantão no dia seguinte, pagar a parcela da formatura e muitas outras coisas. Apagou o inútil e voltou ao Gokut. Entrou na DBOF e enviou uma mensagem para Xiku e Adriana.

“Xikão e Swan, vamos precisar da sua ajuda em uma empreitada que é maior do que nossas vidas. Recentemente, recebi um aviso de que nosso ex-líder, Dario se tornou político e está prestes a iniciar a terceira guerra mundial, resultando na extinção da raça humana. Isso não é uma brincadeira. Estou na casa do Will, junto com Pedro e Thiago, iremos buscar Danton também. Estou enviando para seus e-mails uma cópia dos arquivos que tenho sobre vocês dois para convencer sobre como minha fonte é segura. Estejam no aeroporto de Pernambuco prontos para viajar para o Alagoas e nos esperar. Will vai pagar as passagens é só pegar e entrar no avião. Depois eu mandarei o horário dos vôos e a que horas devemos chegar. Acreditem, isso não é brincadeira mesmo!!!

 

 Atenciosamente,

 

Mauricio”

 

Simples, mas direto. Sabia que precisaria de mais, então pediria para Pedro e os outros escreverem também. Estava especialmente cansado agora, o dia estava sendo muito puxado. Talvez o CO estivesse fazendo efeito ainda. Sentou no sofá novamente e dormiu um sono tranqüilo.

 

Will acabara de se arrumar e estava pronto para sair. Olhou para Mauricio dormindo, com Pedro e Thiago de cabeça baixa vendo TV. Estava sendo muito difícil para eles aceitar que seu time havia perdido.

Ele ainda não estava totalmente certo se entendia o que estavam fazendo, todavia sabia que isto era algo que devia ser feito. Pegou as chaves do seu carro. Havia comprado fazia pouco tempo. Não queria ser mais o filhinho do papai e resolveu que só teria um carro quando ele mesmo pudesse arcar com as contas. Finalmente era independente agora. Chamou os outros. Mauricio acordara assustado, enquanto Pedro demorava a levantar e Thiago parecia já estar melhor da decepção.

Foram para a estrada. Pelo laptop de Willian, Thiago e Pedro mandaram cada suas mensagens para Xiku e Adriana Swan.

 

Chegaram à cidade de Danton às 6:06. Sabiam que ele estaria na rua atrás do colégio brincando com alguns amigos da escola. Estranhamente, o arquivo de Danton era o que continha os dados mais precisos e detalhados. Avistaram Danton no local indicado. Só haviam visto fotos dele uma vez, pois em seu perfil sempre usava fotos de animais como Orcas e Ursos polares. Ele era um garoto branco, de 14 anos, baixinho e com cara de sono.

Mauricio explanou seu plano junto ao Doutor. Este havia enviado uma falsa identidade e documentos que permitiriam a viagem de Danton.

 

Eram 6:27. Danton estava acabando de brincar com seus amigos e se dirigia para sua casa. Andava olhando os pés, não tinha muita vontade de olhar na cara daqueles que não gostavam dele. Todos achavam que ele “se achava muito” e era mimado. Eu farei algo muito grande algum dia, pensou alto. Subitamente, sente duas pessoas segurarem seus braços e o suspenderem. Ele tentou espernear, contudo os dois homens eram mais fortes e o levaram para frente muito rápido. Havia um carro fechado, ele ainda tentou se desvencilhar, ma foi jogado no carro quando a porta abriu. O carro arrancou. Ele nem ao menos conseguiu gritar de tanto medo que sentia.

 

Era uma bela tarde aquela. Um homem jovem estava sentado em seu escritório novo, decorado e impecável. Nada podia estar fora dos rumos naquele momento. O homem apreciava o Sol se pondo. Não era alto nem baixo, branco, um pouco barrigudo, de terno preto desabotoado e gravata vermelha folgada. Estava passando da hora de sair, mas não ligava. Adorava estar ali. Lutou muito para estar nessa posição. Alguém bateu à porta e esta se abriu lentamente.

-        Senhor Dario, tenho um memorando para o senhor assinar –disse um homem baixinho com aparência fatigada.

-        Deixe na mesa que depois eu mesmo levo antes de sair –Dario falou alto olhando por cima do ombro com gentileza na voz.

-        Sim senhor –o secretário colocou o documento sobre a mesa e quando se virou para sair…

-        A encomenda já está conosco? –Dario falou em tom mais baixo.

-        Ele acabou de ser pego senhor –o secretário também diminuiu o tom de voz.

-        Obrigado. É só –Dario voltou a olhar a paisagem, contudo exibia um franco sorriso.

O secretário saiu e deixou o deputado sozinho novamente. Aqueles seriam tempos em que teria que ter pulso firme e Dario não podia se dar ao luxo de errar. O destino do Brasil e do mundo inteiro estava em suas mãos. Afinal, no fim da semana, ele seria Presidente.

 

Mauricio percebeu que Danton teria que ser abordado de um jeito diferente dos outros. Teria que ser raptado. O próprio Doutor sugeriu isso no arquivo de Danton.

Thiago ainda tentou retrucar, mas Mauricio e Willian eram veementes em suas argüições, convencendo Pedro primeiro. Thiago se convenceu pouco depois. Por fim, Will aproximou o automóvel de Danton e fez sinal para Mauricio e Thiago fora do carro. Os dois correram na direção de Danton, o agarraram pelos braços e os jogaram na no carro, no mesmo instante em que Pedro abria a porta. A dupla entrou também. Will deu partida no carro saindo em alta velocidade.

-        Quem são vocês –balbuciou Danton de olhos fechados.

-        Somos nós Danton, relaxa –falou Thiago acalmando o menino.

-        Pedro, Thiago, Mauricio e Will –falou Pedro, fazendo Danton abrir os olhos.

-        O que vocês estão fazendo aqui! –berrou Danton indignado.

-        Viemos buscar você para a maior aventura jamais vivida –disse Mauricio. Vamos todos salvar o mundo! –falou entusiasmado ainda em tom sério.

-        Está dentro ou fora? – perguntou Will enquanto virava o volante subitamente em uma curva.

Danton olhou todos os amigos um a um. Thiago, Pedro e Mauricio sorriam convidativamente. Willian estava sério.

 

Xiku estava chegando no aeroporto com sua mala e mochila. Não acreditava que estava realmente fazendo aquilo. Se fosse uma brincadeira, daria uma boa surra naqueles três, como Dario poderia destruir o mundo? Pensou. Chegou ao balcão e pediu sua passagem. Olhou em volta para ver se Swan estava por ali.

 

Adriana ficou sentada na poltrona do aeroporto durante meia hora esperando o avião chegar. Não sabia se Xiku havia chegado, todavia não estava interessada em companhia naquele momento. Estava cometendo uma loucura em sair de casa daquele jeito. Willian e os outros teriam que explicar muita coisa quando os encontrasse. Pelo menos foi bom sair de casa depois de tanto tempo.

 

-         Estou Fora! –berrou Danton.

Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época – disse Frodo.
Eu também – disse Gandalf. – Como todos que vivem nesses tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com tempo que nos é dado.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel.

Fim do Capítulo IV.

Próximo Capítulo: Confrontos internos

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Por: M. Barreto

Capítulo IV: Das profundezas

Estou afundando. Cada momento passa lentamente diante de meus olhos. Estou caindo. Meus pés não querem me deixar subir. Estou morrendo. Estou chegando ao fundo. Não, ainda posso descer mais. Eu grito, não por socorro, mas de ódio e desespero. Contudo, é a ajuda que estende as mãos para mim e não a morte, como esperava.

Não é a mão de um anjo, está longe de sê-lo. Era uma mão amiga. Era tudo o que precisava. Finalmente alguém se importava. Finalmente alguém lembrava. Ele me vê. Agora sei que existo. Estive perto das trevas e me tornei um novo ser. Absorvi maldade e a usei para o meu bem. Confiei novamente. Gostei de estar nesse mundo, mesmo sendo injusto e cruel com as diferenças.

Ontem, você me enganou, me afastou e me mutilou. Tentou arrancar de mim o que você mesmo me deu. Minha nova família. Me pergunto se você não era feliz também. Você era meu mestre, meu salvador. Agora o que você é pra mim? Inimigo, algoz? Quero saber o porquê para me vingar depois. Você vai ver que a vitima dessa vez é você.

 

Mauricio ficou pasmo de ver Thiago ali. Achou até que fosse uma alucinação. “Besteira, alucinações raramente são ao mesmo tempo visuais e auditiva” pensou. Caminhou até o amigo que subia na ambulância.

-        É muito bom te ver cara –disse Mauricio praticamente caindo nos ombros de Thiago quando foi abraçá-lo.

-        Ei, você ta bem Mauricio? –perguntou Thiago. 

-        Mais ou menos, respirei muita fumaça. Acho que não era para eu morrer ainda –falou com um sorriso. Preciso de uma bolsa de sangue.

-        Uma o que? –se espantou Thiago.

-        Se não, acho que vou atrasar a aventura.

-        Aventura?

-        È isso ai, HB –disse alguém por trás de Thiago.

-        Pedro! –Thiago não esperava encontrar outro amigo distante ali –se cumprimentaram. Que história é essa de aventura?

-        O mundo vai acabar daqui há 10 dias quando o Dario lançar bombas de Hidrogênio no planeta todo –disse Mauricio pegando algo na mesa ao lado e olhando por trás dos ombros dos amigo. Se afastem por favor.

-        Isso é brincadeira né? –perguntou Thiago temeroso, mas com um sorriso.

O sorriso dele desapareceu ao perceber as caras sérias com que os amigos o olhavam. Alguém tocou-lhe o ombro e ele deu um pequeno salto de susto. Ao olhar para trás um médico de meia idade e aparência jovial dizia para se afastarem um pouco por que ele queria ver como o seu paciente estava.

-        Colega, eu preciso de um concentrado de hemáceas –disse Mauricio gentilmente enquanto sentava na maca, muito ofegante.

-        Você não está sangrando rapaz? –disse o médico indo em sua direção.

Mauricio fez um sinal para Pedro fechar as portas da ambulância.

-        Eu estou com muitas das minhas hemáceas com carboxihemoglobina –falou olhando para o teto. Dessa forma minha capacidade de carrear oxigênio para minhas células está extremamente comprometido. Só estou de pé devido ao aumento da fração dissolvida no plasma que em geral é de apenas 7%, mas se altera grandemente com a inalação de oxigênio concentrado –agora fitava gentilmente os olhos do médico.

-        Vejo que você não é um leigo, entretanto o seu tratamento será melhor com repouso e oxigenioterapia –disse também olhando nos olhos de Mauricio. Em alguns dias estará melhor.

-        Eu não te chamei de colega à toa. Acertou ao dizer que não sou leigo, sou um estudante de medicina –falou fitando furiosamente os olhos do médico. Continuando, além disso, o monóxido de carbono ainda pode se acumular em meu tecido muscular, fazendo com que meus sintomas perdurem por alguns dias. Todavia, eu preciso me movimentar muito nesses dias e não posso ficar parado esperando minha asfixia parar –o médico parecia não ligar para o que Mauricio dizia, afinal, para ele, o paciente não tem opinião.

Thiago e Pedro assistiam à aula de Mauricio estupefatos com o conhecimento dele. Quando o médico se inclinou para recolocar a máscara de oxigênio em Mauricio, este levantou a mão direita e colocou um bisturi perto do meio do pescoço do outro, um pouco para a direita.

-        Estou com um bisturi na sua Artéria Carótida, se não me der o concentrado de hemáceas, eu te mato aqui mesmo –falou com uma naturalidade surreal para o momento.

Pedro e Thiago ficaram chocados com a ação do amigo. Thiago ainda fez menção a se contrapor, mas Pedro fez sinal para ele ficar parado. Sabia que dali não havia mais volta e o real panorama era desesperador.

-        Ei garoto cuidado com isso –o médico falou perdendo o tom jovial pela primeira vez.

-        Na verdade, posso fazer isso eu mesmo ou com a ajuda de meus amigos, mas vai levar muito tempo. E tempo é muito preciso nos dias de hoje –Mauricio deu um longo sorriso sarcástico.

-        Eu faço então –disse com um grande medo de morrer.

Ele começou os preparativos para o procedimento.

-        Qual a sensação de ter esse mono… –começou a perguntar Thiago vendo que havia esquecido o nome da substancia.

-        De ter o monóxido de  carbono no sangue? –completou Mauricio. Imagina que você está respirando, mas não está fazendo a mínima diferença. O ar que entra não vai pra onde deve. Fica só no pulmão e não vai pro sangue. Eu podia ter morrido asfixiado respirando. Ruim né? –falou com um sorriso.

A agulha entrou na fossa cubital direita de Mauricio. Ele sempre odiou a sensação de ter agulhas em seu corpo. Para tomar injeções de vacina sempre foi muito difícil, mas agora não relutou em tomar essa. A responsabilidade falava mais alto. A bolsa de sangue escoava lentamente. Thiago e Pedro olhavam um para o outro. Mauricio ficava observando o medico que estava sentado em um canto, isolado de todos.

Lá fora, os feridos estavam sendo cuidados e o fogo estava sendo apagado. Passara-se meia hora e a bolsa estava no fim. A agulha foi retirada e colocada uma gaze no lugar. Mauricio já se sentia bem melhor. Sua respiração voltara ao normal e não estava mais tonto.

-        Agora que isso acabou, você pode me dizer porque tudo isso? –perguntou Thiago.

-        A história é longa e vamos te contar no caminho, mas para que ele também ouça… –disse indicando o médico com a cabeça. Tenho uma informação privilegiada de que no dia dois de fevereiro o seu antigo chefe, Dario, vai iniciar um ataque nuclear, levando a uma reação em cadeia que destruirá a raça humana. E apenas os sete moderadores podem fazer algo para impedi-lo.

-        Isso é loucura –falou o médico.

-        Espero que seja mesmo –disse Thiago.

-        Eu não teria saído da minha casa geladinha e confortável para entrar naquele inferno te procurando se não fosse verdade –falou Mauricio.

-        È isso ai –concordou Pedro.

-        Não tenho nada a me desculpar com você –disse Mauricio se virando para o médico. Mas peço que não conte a ninguém o que viu aqui. Se em dez dias nada de estranho acontecer no Alagoas, você me denuncia. Ok?

-          Você é louco.

-        Do meu ponto de vista, se você dificultar as coisas eu vou te matar. Porque se não fizer isso, 6 bilhões de pessoas vão pagar o preço. E se eu falhar você vai morrer daqui a dez dias mesmo –Mauricio sorriu para ele.

-        Certo então farei como diz. Mas você não quer ajuda da polícia ou do militares para sua empreitada? – falou o médico sarcasticamente.

Mauricio saltou da maca, Pedro abriu as portas e saiu com Thiago. Mauricio foi logo em seguida, virando para trás logo depois.

- Em todos os cenários que eu já consegui pensar, pedir ajuda ao governo não é uma forma muito apropriada de ter ajuda. Afinal, burocracia e corrupção andam juntas. E se bem me lembro, nosso inimigo é um político.

 

Thiago disse que sua avó morava no final da rua, então seguiram para lá. Estava caminhando enquanto Mauricio explicava a situação para ambos.

-        Então, é isso

-        Puxa… –exclamou Thiago baixinho.

-       Repuxa… –disse Pedro. Mauricio, porque você disse que avisar as autoridades podia ser pior?

-        Bem… –coçou o queixo. Há um motivo para o Doutor ter mandado aquele vídeo para mim e não para a central inteligência das forças armadas. Ele teve mais tempo do que eu para analisar a situação e acho que ele não fez isso porque se o cenário mudasse, forçaria Dario a tomar atitudes drásticas, lançando o ataque antes da hora. Do jeito que estamos fazendo, na surdina, tenho certeza que temos 10, ou melhor, 9 dias de vantagem.

-        E você iria realmente matar aquele senhor? –perguntou Thiago sem o sorriso habitual no rosto.

-        Farei o que for preciso para proteger as pessoas que amo nesse mundo. Se isso significa matar um “inocente”… –disse fazendo o sinal das aspas. Então eu farei. Somos a ultima esperança da humanidade. O quanto antes se convencerem disso, melhor para vocês, pois essa não é uma viagem de férias.

Pedro e Thiago estavam olhando para ele e observaram que ele parecia muito mais experiente do que sua aparência jovem deixava transparecer. Pedro agora começava a entender no que tinha se metido. Thiago ainda tentava absorver que estava entrando numa fria. Mauricio completou quando estavam no portão da frente da casa da avó de Thiago.

-        Não pedi para estar nisso, nem vocês também. Não nos foi dado muita escolha. Mas temos que fazer o que for preciso por aqueles que nos são preciosos –falou esboçando um sorriso na face séria.

Continua…

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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap 3 pt 4


cristo dbof

Por: M. Barreto

Capítulo III: Quando o Sol bater na janela do teu quarto… a aventura fantástica começará

Eram 13:13. Thiago olhava no relógio esperando o tempo passar. Estava sentado em frente ao computador que acabara de ser iniciado. A Internet conectou. Na mente de Thiago, só havia um lugar a ir, a DBOF. A comunidade virtual que o acolheu há muito tempo. Antes da DBOF, Thiago estava perdido, sem amigos, sem motivação. Contudo, isso foi há muito tempo. 4 anos atrás. Hoje, ele era o dono emérito da comunidade, dividindo o poder igualmente entre os 7 moderadores, possuía muitos amigos dentro do outro lado das conexões da Internet.

Ele era branco, alto, excessivamente magro. Junto a isso, seus cabelos e olhos negros cobertos por uns óculos de grossa armação, parecendo estranhamente com um visor de mergulho, lhe faziam parecer um pouco excêntrico.

Abriu o Gokut, nem ao menos leu seus recados, entrou direto na DBOF.

Desde a saída de Dario da DBOF, quando fora nomeado dono, ele começou a sentir, pela primeira vez, que era realmente útil em algum lugar. Quando Dario voltou e quis tomar a comunidade, não exitou em devolvê-la. Nunca imaginaria que o homem responsável por criar o seu lar fosse querer destruí-lo a troco de nada. Willian jamais lhe deu tanto esporro quanto naquele dia. Mauricio só chegou depois do caso resolvido e apenas pode atribuir tudo ao que dizia ser o “jeito Thiago de ser ingênuo”.

Foi para o tópico de “Chat” da comunidade.

Isso foi há 3 anos, mas ele ainda pensava nisso de vez em quando. Entretanto, o fazia com muito menos freqüência agora. Pois também tinha muitas outras coisas importantes a pensar. Acabara de se formar no ensino médio e não fazia idéia do que fazer da vida. Pensou em fazer algum curso técnico, mas nada lhe interessava. Pensou em arranjar um emprego para ganhar dinheiro logo, mas foi desencorajado pela família. Pensou em fazer faculdade, mas estava longe de estar no ritmo de vestibular. Xiku sempre dizia que pensar não era para o Thiago.

“Fala povo o/, hoje eu vou pegar meu diploma de segundo grau e não sei ainda o q fazer da vida” escreveu Thiago. Abriu uma nova janela e verificou seus recados, entretanto não havia nada demais. “São Paulo vai Ownar o Palmeiras hj, eu vou ver o jogo no Morumbi!!!” escreveu Pedro no Chat, poucos antes de Thiago. Ele estava falando desse jogo já fazia dois dias. Direto. Sem parar. Estava começando a ficar chato, pensara Thiago.

O dia estava claro, abriu a janela do quarto e sentiu a briza tocar-lhe o rosto. O barulho habitual da grande metrópole não o incomodava nem um pouco naquele dia. O Sol estava agradável e ele sentiu que não importava o que o futuro lhe reservasse, a sua vida estava apenas começando.

 

Thiago agora estava olhando incrédulo para a pessoa no chão. Era como se não houvesse mais nenhum incêndio pondo sua vida em risco. Aquele não podia ser ele, ou podia?. O que ele estaria fazendo ali e como sabia onde o encontrar?

 

Mauricio acordou em uma ambulância de resgate com uma máscara de oxigênio. Estava deitado em uma fria maca. Levantou com cuidado e olhou em volta. Havia um bisturi, linha e uma pinça em cima de uma bancada, gazes e luvas limpas do lado. Viu que seu braço tinha uma sutura de três pontos em um corte. Estava ainda tonto, mas sentia muito mais firmeza no corpo do que antes. Se perguntava quando tempo teria se passado. Olhou o oxímetro, estava em 100% de saturação. Deitou novamente e ficou ali, apenas respirando, por alguns minutos.

-        Só preciso descansar mais um pouco –pensou.

Sua mente voou para longe dali. Estava na faculdade, esperando ela descer as escadas. Um discreto sorriso lhe toma a face quando ele vislumbra seus pés andando nos degraus, depois suas mãos erguendo-se para tocar os cabelos. Seu corpo inteiro naquele fino vestido azul. Ela estava de pé ao seu lado olhando para ele com um tenro sorriso. Um nome soa nos lábios de Mauricio.

-        Julia…

Ele acorda. Havia dormido outra vez. Retirou a máscara. Não podia pensar nela naquele momento. Já havia dito isso para si mesmo. A pele morena e suave dela voltou a sua mente enquanto levantava. Balançou a cabeça tentando afastar a lembrança. Sem arrependimentos, sem olhar para trás. Jurou lhe dar um futuro, ela não morreria naquela explosão. Ninguém morreria.

- Finalmente você acordou –disse uma voz masculina fora da ambulância.

 

Pedro estava procurando Thiago no meio daquela multidão. O havia perdido de vista quando os bombeiros o desceram do alto do prédio. Também não via Mauricio há algum tempo e ele não atendia o celular. Estava no gramado em frente à escola que estava em chamas. As ambulâncias se amontoavam  por ali, cercadas por um cordão de isolamento. Centenas de pessoas se aninhavam em torno da faixa amarela querendo saber notícias. Os guardas não o deixariam passar, se não fosse pela única pessoa que ele rezou para não encontrar naquele dia.

-        Pedruxo lindinho!! –gritou alguém do outro lado com uma voz aguda.

-        Essa não –sussurrou Pedro colocando a mão no rosto.

Queria se esconder. Vitinhu era o ultimo membro da DBOF que ele gostaria de ver naquele momento. Todavia, naquele momento era seu passaporte para o outro lado daquela faixa amarela de isolamento. Era um rapaz moreno que parecia “uma gazela saltitante” na definição de Pedro.

Vitinhu acenava freneticamente, dando pulinhos e risinhos.

-        Oi benhe –disse todo animado. O que você está fazendo aqui?

-        Oi Vitinhu –começou Pedro meio sem graça. Você pode por favor pedir para aquele guarda me deixar passar.

-        Ai claro Linduxo –disse sem exitar.

Em pouco tempo, o guarda acenou para Pedro entrar, enquanto tentava afastar o rapaz afeminado com a outra mão.

-        Grande garoto! –sussurrou acenado positivamente para os dois.

Olhou as ambulâncias uma por uma. Achou Mauricio se levantando em uma delas, com Thiago do lado de fora. Correu até eles.

 

Thiago correu passando pela multidão em volta do homem no chão.

-        Ei, Mauricio! –chamou chacoalhando o amigo. Acorda mano!

Ele não respondeu, ainda estava desmaiado. Os bombeiros chegaram e começaram a evacuar as pessoas por uma escada. Thiago não saiu de perto do amigo caído. Explicou que o conhecia aos homens de vermelho e desceu ao lado da maca. Ficou esperando que ele acordasse por algum tempo. Ele se levantou, mas deitou novamente.

-        Sonâmbulo? –pensou Thiago.

Minutos depois ele se levantou novamente e balbuciou alguma coisa ininteligível. Thiago, então, apareceu na porta da ambulância e disse:

-        Finalmente você acordou.

Tudo é dor,

E toda dor vem do desejo,

De não sentirmos dor.

 Renato Russo em Quando o Sol bater na janela do teu quarto.

Fim do Capítulo III.

Próximo capítulo: Indo às profundezas

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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap 3 pt 3


 cristo dbof

Por: M. Barreto

Capítulo 3: Quando o Sol bater na janela do teu quarto… a aventura fantástica começará

Aquele dia excessivamente quente não era muito habitual. Nada naquele dia seria habitual. O calor o fazia suar muito e aquele jogo estava tedioso demais. Estava ainda no 0 x 0. Pedro se levantou no intervalo da partida e foi até o banheiro. Uma fila gigantesca e barulhenta estava à sua frente e o jogo não demoraria a começar. Era uma grande ilusão achar que iria a um dos banheiros do Morumbi e voltaria a tempo de ver o reinício do jogo. Tinha muita pressa para voltar à sua cadeira e torcer para o São Paulo virar aquele jogo, mas sabia que estava longe disso.

Pedro era descendente de orientais, alto e com um liso cabelo negro até a testa. Era magro, mas não demasiado. Tinha um rosto simples, sempre demonstrando o que sentia e na maioria das vezes tinha um sorriso estampado nele.

O seu celular tocou. Pedro buscou em seus bolsos e ao pegá-lo olhou para o número desconhecido. Tentou lembrar de quem poderia ser sem sucesso. Estranhou não saber, mas atendeu prontamente.

-        Alô? –disse Pedro.

-        Alô, Pedro? –perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.

-        Sou eu, quem está falando? –falou alto tentando se sobrepor ao barulho da fila do banheiro.

A pessoa respondeu, mas ele nada conseguiu ouvir. Saiu da fila e seguiu pelo corredor procurando um local mais calmo e com recepção melhor.

-        Pedro, quem está falando é o Mauricio –disse a voz do outro lado.

-        Eu não conheço nenhum Mauri… –falou apressadamente, parando para pensar logo em seguida. Peraí, é você? –perguntou lembrando do amigo da Internet.

-        Sou eu, o Mauricio da DBOF! –berrou do outro lado. Estou aqui em São Paulo e preciso falar com você, hoje. Do tipo, agora.

-        Mas como você tem meu número? –indagou Pedro.

-        Depois eu te explico –falou rapidamente Mauricio. Te vejo aqui no portão principal do estádio em 15 minutos. Venha rápido, é uma emergência!

Desligou. Pedro estava confuso. Não sabia como ele poderia ter seu número de celular. Nunca o havia passado a ninguém pela Internet. Teria sido um trote ou Mauricio realmente descobriu o seu celular?.

Foi pelo corredor até a rampa de saída. O jogo começaria em instantes, mas ver o amigo pela primeira vez seria um momento histórico. Não sabia se ficava com medo ou se ficava feliz. Não sabia quem iria realmente encontrar ou se encontraria. No entanto, ele estava lá. Sentando em um banco com a perna direita irrequieta batendo no chão. Desceu o ultimo lance de escada correndo e o chamou alto. Mauricio olhou em sua direção e acenou, levantando em seguida.

Pedro estendeu a mão para Mauricio e este a apertou, jogando o corpo para frente num forte abraço. Um grande choque cultural acontecia nesse momento em que um paulista e um carioca se conheciam, dois moderadores da DBOF. A Comunidade DBOF nunca mais seria a mesma.

 

Mauricio havia acabado de falar e sentou no banco. Pedro estava parado na mesma posição já havia dois minutos e não fazia menção a se mover. Muito devagar, Pedro voltou seu rosto para o amigo e perguntou.

-        Pela quarta vez…. isso é sério?

-        Mais do que sério, eu diria –disse Mauricio com um sorriso.

-        Então o que temos que fazer? –perguntou satisfeito com a resposta anterior.

Mauricio ficou surpreso com a aceitação tão rápida de Pedro. Ele havia demorado 20 vezes mais tempo para acreditar. Não sabia se isso era um bom sinal.

-        Agora nós dois vamos achar o Thiago e depois partimos para o Sul.

-        Então ta… –disse Pedro conformado. Vou ligar e inventar uma historinha pro pessoal não ficar preocupado comigo e depois nós vamos.

-        Ahn… certo –falou achando que aquele garoto não devia ser normal se estava aceitando tudo tão rápido assim.

Pedro se afastou e fez a ligação. Mauricio ficou esperando impaciente. Odiava ficar esperando. Olhou novamente o endereço da escola de Thiago. Logo, Pedro retornou e foram andando juntos na direção do ponto de ônibus.

Mauricio achou a cidade de São Paulo bonita. Sempre imaginou que encontraria um céu esfumaçado e pessoas ranzinzas e chatas. Pedro perguntava várias vezes as mesmas coisas e ele sempre repetia as mesmas respostas. Entraram no ônibus e foram conversando até o destino. Pedro disse que pegaria o dinheiro que estava em sua conta no banco, mas que seria pouco para pagar tantas viagens de avião. Mauricio sentiu novamente medo de que por falta de dinheiro o mundo acabasse.

Thiago estaria buscando seu diploma de segundo grau naquele dia, de acordo com que o Doutor havia enviado.

Desceram no ponto mais perto e seguiram pela longa rua até a escola. O lugar ficava de costas para uma pequena favela. Contudo, parecia um lugar calmo. Parecia. Quando os dois estavam a cem metros da escola, Mauricio ouviu um barulho alto de tiro. Pedro não acreditou que fosse. Pessoas corriam para se abrigar e viam em direção aos dois como animais fugindo de um predador quase fazendo os dois serem lançados ao chão. Mais tiros foram dados,

Ficaram atrás de um parede de loja estáticos. Encontrar Thiago em meio a tantas pessoas não seria tarefa fácil. Ele podia já estar longe, ou pior.

-        Mauricio, será que ele está bem? – disse Pedro gaguejando um pouco. Quer dizer, ele não vai morrer nessa confusão né?

-        Não se preocupe, Pedro –falou calmamente. Daqui há 10 todos estaremos mortos mesmo.

-        Não é hora de brincar com isso! –se exaltou Pedro. Ele pode estar ferido ou morto!

-        Claro que não está morto – Mauricio respondeu calmamente. O Doutor disse que deveríamos encontrá-lo aqui. A nossa linha de tempo não é tão diferente da dele, ou seja, no mundo dele esse tiroteio aconteceu também. E o Thiago sobreviveu a ele.

-        Ah que alivio –disse Pedro soprando ar.

-        Mas não tenho tanta certeza quanto a nós… –disse olhando para a pequena distancia que os separava da escola.

-        Como assim? –indagou o outro.

-        Bem, nós não deveríamos estar aqui e tudo o que fizermos pode e vai alterar o macro-plano do futuro –Mauricio olhou para o amigo que parecia não entender nada. Em resumo, nós podemos morrer aqui ou talvez acabar matando o Thiago sem querer. Tudo depende das ações que fizermos.

-        Você me dá medo, mano.

-        Eu sei –respondeu com um largo sorriso.

Eles olharam a escola. Viram dois homens armados saindo de dentro do prédio e em seguida o local começou a encher de uma densa fumaça cinza-escura. A escola estava pegando fogo e Thiago podia estar lá dentro.

Mauricio saiu correndo na direção do fogo, Pedro tentou pará-lo, mas foi inútil. O carioca parou em frente às chamas e gritou alto o nome do outro amigo.

-         Thiago!

-         O que você está fazendo? –perguntou Pedro enquanto se aproximava.

-         Temos que achar o Thiago, logo –falou Mauricio procurando a porta de entrada do local.

-         Você mesmo disse que ele deve estar bem!

-         E está, mas não sei onde estará depois de agora e se ele chegar em casa, eu não sei se os pais dele vão deixar ele viajar numa aventura suicida –falou rapidamente dando algumas gaguejadas. Sacou?

-         Entendi -Pedro parecia compreender a atitude do amigo agora. E o que vamos fazer agora?

-         Eu vou procurar lá dentro e você vê se o acha aqui fora, certo? –falou Mauricio correndo para a porta que estava entreaberta.

-         Você é maluco –disse Pedro baixinho.

Pedro correu pelo pátio da escola chamando por Thiago. Estava com muito medo. Dezenas de tiros eram dados a cada minuto e faziam-no tremer. Mas não há uma alma viva que não sentisse medo naquela situação aterradora. Todavia, isso dava ainda mais forças para Pedro. A polícia chegara e a troca de tiros estava cada vez mais intensa. E nada de Thiago. Uma multidão de bandidos desceu da favela e pioraram o conflito para o lado dos Policiais. Uma escola em chamas ao fundo. No meio de tudo isso, um jovem gritava chamando por alguém.

No interior do colégio, Mauricio tampava o rosto com uma camisa e seguia chamando pelo amigo. Havia muitas pessoas e ele tentava parar para ajudar a todas. Indicava o caminho da saída e dava dicas para se proteger da fumaça e do fogo. Até que ele parou um momento e olhou em volta. Ao havia sentido nisso, pois se ajudasse aquelas pessoas ou ele ou Thiago iria morrer, então todas pessoas do mundo iriam morrer. Desde então, decidiu não mais ajudar ninguém.

-        Mesmo que isso parta meu coração e seja contra meu juramento de médico, tenho que ter tenacidade –pensou.

Pedro subiu em uma lojinha de esquina e se segurou no poste que havia em cima dela, como um pirata a visualizar um tesouro, encontrou Thiago. Estava no alto da escola no ponto mais alto do prédio, junto de muitas outras pessoas. Estava completamente ilhado. Pegou o celular e procurou o numero de Mauricio. Chamava e ele não atendia. Thiago não o ouviria dali, não adiantava gritar. Mauricio atende.

-        Achou ele? –Mauricio já foi logo perguntando aflito.

-        Achei sim, ele está no alto do colégio –Berrou Pedro.

-        Saquei, estou bem do lado da escada de emergência –falou olhando pela janela. Fui.

Desligou o celular e o colocou no bolso. Estava ficando tonto por ter inalado muita fumaça. A camisa estava protegendo muito, mas tinha seus limites de filtração. Saiu pela janela e tentou alcançar a escada de emergência. Estava com meio corpo para fora. Esticou-se e agarrou a escada com uma das mãos, girou o corpo e agarrou com a outra mão. Saiu por completo, ficando pendurado. Conseguiu com muito esforço dar impulso com os pés e subir para os degraus. Tirou a camisa do rosto, estava ficando sufocado. Respirava com muito esforço. Ouviu metal ranger. Viu os pés da escada balançarem e o chão tremer. Só agora havia percebido que a armação de metal da escada estava cedendo. Em pouco tempo cairia.

Subiu correndo e viu muita gente tentando descer como podia. Não havia sinal de Thiago. Estava ofegante demais, sua cabeça girava, sua visão ficou embaçada e sentiu seus pés cederem como os pés da escada. Estava no meio de todos, quase caindo, reuniu forçar, levantou e então brandiu alto uma ultima vez antes de desmaiar.

-        Thiago HB!!!

Continua…

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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap 3 pt 2


cristo dbof

Por: M. Barreto

Capítulo III: Quando o sol bater na janela do teu quarto… a aventura fantástica começará

Mauricio pegou a enorme mochila preta e começou a colocar roupas e acessórios diversos. Fez uma lista mental do que deveria levar. Não podia esquecer nada de importante. Olhou o relógio e eram 10:43. Deu uma desculpa qualquer para a mãe, dizendo que ficaria dias fora. Não podia contar a ela que iria salvar o mundo, porque ela não acreditaria. Nem mesmo ele acreditava ao certo.

Pegou seu pen-drive e copiou a pasta “esperança”, entretanto o vídeo de Denis não cabia. Optou por levar apenas os outros arquivos, porém transcreveu toda a mensagem  do amigo do futuro em um bloco de notas de papel. Colocou o HD portátil na mochila e esta nas costas. Se despediu da mãe e saiu rumo ao desconhecido.

Quando saiu de casa olhou novamente as horas. Eram 11:18. Estava planejando conforme as coisas iam acontecendo, mas já tinha uma boa noção do plano geral. Pegaria o trem para a Central do Brasil às 11:40, chegando lá sacaria todo o dinheiro que tivesse no banco. O início, até agora, do plano era esse.

Estava sentado no primeiro vagão do trem quando resolveu reler o que havia dito o Denis do futuro.

-        Então ta… –balbuciou. Temos que reunir os sete moderadores e depois ir até o Alagoas. Moleza –falou com um risinho sarcástico no rosto. Xiku e Adriana moram em Pernambuco. Pedro e Thiago são de São Paulo. Will e Danton são do Rio Grande do Sul -estava começando a falar alto demais e abaixou a voz. Vou primeiro para São Paulo e de lá para o Sul. Depois vamos todos para o Nordeste e de lá para o Alagoas. Dinheiro e tempo são problemas sérios –refletiu recostando-se no duro assento da condução. Como vou fazer isso tudo com 453 reais e em 10 dias. Porque não me mandaram essa notícia com antecedência –pensou em tom desesperançoso soltando um sorriso em seguida.

Acostumado com a viagem, nem sentiu o tempo passar. Olhou o Cristo Redentor de longe e deu um pequeno aceno, na esperança que o verdadeiro olhasse por ele. Não que ele fosse do tipo religioso, mas naquela hora, toda a ajuda parecia bem vinda. Em uma hora de viagem estava na Estação Central do Brasil, olhando as horas em seus grandes relógios analógicos. Comeu nas pequenas lanchonetes da estação. Avistou uma agencia bancária e sacou todo o seu dinheiro. Esperava que alguém pudesse bancar as viagens de avião porque não seria possível cruzar o Brasil de ônibus em tão pouco tempo. Partiu para a Rodoviária e pegou o primeiro ônibus para São Paulo, certificando-se que passava pelo Estádio do Morumbi, pois Thiago HB morava perto de lá. A facada inicial do preço da passagem foi logo esquecida quando lembrou que estava ali para cumprir uma missão.

Viajou lendo um jornal. Como a viagem duraria cinco horas, ele não tinha muito que fazer além de ler e ouvir música. Pensar no que havia deixado e principalmente em quem havia deixado, seria doloroso e só pioraria a situação. Sabia disso e não pensar na família estava sendo fácil. O problema era não pensar nela, justo naquele momento.

Logo na capa do Jornal estava algo que muito lhe interessava. 23 mortes misteriosas no Alagoas. A notícia em si não acrescentava nada a mais do que o próprio título. Na página de esportes, viu que haveria um jogo entre São Paulo e Palmeiras no Morumbi. Lembrou que Pedro disse ontem que veria o jogo. Agora, o plano começava a tomar forma. Ligaria para Pedro e depois ficaria mais fácil achar o Thiago, juntos.

Depois de três horas de viagem, o ônibus estacionou para uma pausa de 10 minutos. Mauricio verificou o celular de Pedro no seu arquivo em uma pequena lan-house. Ainda pensou em abrir o Gokut, mas estava com pressa e apenas viu o local onde Thiago estaria naquela tarde no arquivo do futuro. O ônibus partiu e ele novamente mergulhou em seus pensamentos. Precisava salvar o mundo e não fazia idéia de como.

 

Um homem está andando em um corredor escuro. Seus passos ecoam alto e sonoros a cada batida. Na parede à sua frente está uma pequena luz vermelha. Há uma porta e um scanner de retina do lado dessa luz. Ele põe o olho direito na direção de um scanner, a luz se torna verde e a porta se abre. A sala escura a sua frente vai se tornando clara conforme ele caminha. Computadores estavam por toda a parte. Um em especial era gigantesco. Ele parte em direção a este e ao mover o mouse uma tela de boas vindas surge. Olhou para a porta que ficara aberta, não havia o som de ninguém se aproximando pelo corredor. Suava bastante, mesmo que o local estivesse com o ar condicionado gelando o ambiente. O que ele foi fazer ali era muito importante e ninguém deveria lhe atrasar.

Uma senha é pedida pela máquina. Ele busca algo em sua carteira marrom e retira um pequeno papel com o código. Sentou na cadeira e esticou as pernas, espreguiçando em seguida. Após digitá-lo, uma nova tela aparece revelando o sistema operacional. Digitou um comando que o redirecionou a um programa nomeado de 3a letra. Ele foi até operação e digitou “Iniciar proteção máxima da informação”. Apertou “enter” e uma nova tela surgiu com os dizeres “Bem vindo ao Defcon 1”.

Esboçou um largo sorriso de satisfação. Levantou-se da cadeira e saiu apressadamente da sala, com as luzes desligando atrás de si. Bateu a porta e assim lacrou novamente o lugar. Tudo estava saindo como devia e agora não havia mais volta. Ele seria a pessoa por trás do motor de todas aquelas mudanças. Ficou muito contente e saiu quase saltitando de felicidade pelo corredor escuro.

Continua…

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